"Olhar é uma forma de tocar à
distância, mas somente o contacto físico é que nos permite confirmar a
realidade. O toque, confirma a existência de uma realidade objetiva. É
no toque, que confirmo aquilo que a intuição e o coração sentem, muitas
vezes toldado pela nossa mente.
Abraçar e tocar alguém é um fenómeno pouco frequente na nossa
cultura. Existe uma espécie de condicionamento que nos leva a encarar o
toque com uma certa carga sexual. Esta espécie de punição e
desencorajamento do toque entre as pessoas é provavelmente, um dos
fatores, que mais contribui para o sentimento de infelicidade e de
depressão.
Não existe um à vontade no abraçar, no dar a mão e este fator inibe a
expressão dos nossos afetos com medo de uma interpretação incorreta por
parte de outra pessoa. Ou pior ainda, chegamos a colocar carga sexual
onde não existe, porque não conseguimos tomar consciência das nossas
carências emocionais e da nossa falta de afeto e a partir daí surgem
todo o tipo de confusões. É urgente tocar, é urgente usar o corpo, é
urgente. Até ser natural, pois é assim que devia ser.
Precisamos de mais toque na carne e menos
touch no
screen.
As pesquisas mostram que o toque humano provoca a libertação de
oxitocina na corrente sanguínea. E porque é que precisamos de oxitocina?
Simplesmente porque ela é uma das principais hormonas responsáveis pela felicidade, pela alegria e outras emoções positivas.
Uma das formas de ser feliz é simplesmente tocar, abraçar, apertar a mão, tocar no ombro, massajar e ser massajado.
Uma das formas de ser mais feliz é simplesmente usar o teu corpo, para te sentires e sentires o mundo.
Estas são algumas coisas importantes que acontecem quando usas o toque e provocas a libertação da oxitocina:
Autoestima e autoconfiança – Quantas vezes já não lutamos com
situações ou estivemos inseguros das nossas habilidades e com um simples
toque no ombro de encorajamento e compaixão, experimentamos um aumento
brutal de autoestima e capacidade de agir. Sim, esse gesto, esse toque,
faz toda a diferença.
Aumentas a tua capacidade de resolver problemas – A oxitocina aumenta
a tua criatividade e a capacidade processamento de informação,
especialmente em ambientes sociais. Podemos dizer que ficas mais
inteligente emocionalmente. Logo, abraçar torna-te mais inteligente!
Relacionamentos – Durante o parto, acontece uma descarga enorme de
oxitocina na corrente sanguínea que fortalece a ligação mãe/filho. Se
promovemos o toque com mais regularidade na nossa vida, mais abraços,
muitos mais abraços, conseguimos ligações mais profundas e
significativas.
Libertas-te de hábitos e dependências – Ao aumentar a autoestima, a
confiança em nós e nos outros e fortalecemos as relações, estamos a
libertarmo-nos das dependências. A libertação de oxitocina, equilibra a
resposta de dopamina (neurotransmissor que também é responsável por
sensações de euforia e felicidade). Imaginem, por exemplo, as aplicações
terapêuticas do toque, em centros de desintoxicação.
Aumentas a tua função imunológica – Todos os elementos do nosso
sistema imunitário são aumentados com a libertação de oxitocina. Isto
tem um profundo efeito no nosso organismo, pois vivemos mais tempo, mais
saudáveis e mais felizes. É só lucro!
Amor – Pois é, amor, a oxitocina é responsável, a nível químico, pelo
sentimento de Amor. Amor que é amor, tem de ter toque e muito.
Também sabemos que o toque é absolutamente essencial para os
recém-nascidos, que é tão importante como a água e a comida e que sem
ele as hipóteses de sobrevivência reduzem-se drasticamente. Mas para
além das reações químicas que acontecem, existe também uma quantidade
brutal de informação não-verbal que é processada através do toque.
Quando vejo os sorrisos espontâneos e verdadeiros que se abrem nos
meus alunos e pacientes no fim de uma aula de yoga ou de uma massagem,
só consigo ficar grato por poder participar nesta mudança. A melhor
parte, é que é muito difícil tocar os outros e não ser tocado.
Não se iludam, eu faço isto por mim, eu gosto de me sentir feliz. Provocar sorrisos, faz-me feliz.
Experimenta tu, abraçar alguém, agora… é grátis

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